Crítica

Toy Story 5

Toy Story 5 — Os tempos mudam, mas os amigos são para sempre.

O trabalho de Buzz, Woody, Jessie e do resto da gangue fica exponencialmente mais difícil quando eles enfrentam uma nova ameaça à diversão:

Toy Story 5 é bom? A resposta direta para essa pergunta depende fundamentalmente de quanta paciência você ainda tem para ver a Pixar testar os limites do carinho do público. A franquia que revolucionou a animação em 3D em 1995 parecia ter encontrado o encerramento perfeito em Toy Story 3 (2010), quando Andy entregava seus brinquedos para a pequena Bonnie. Anos depois, Toy Story 4 (2019) provou que ainda havia fôlego emocional para explorar a crise de identidade de Woody, mesmo dividindo a opinião de parte dos fãs veteranos. Agora, a chegada de um quinto capítulo coloca a produtora novamente sob os holofotes do mercado e da crítica.

Cena 2 de Toy Story 5
Toy Story 5

A direção assinada por Andrew Stanton — nome histórico do estúdio e responsável por sucessos como Procurando Nemo (2003) e WALL-E (2008) — traz uma bagagem respeitável de conhecimento sobre esse universo. Ao lado de Kenna Harris no roteiro, Stanton tenta resgatar a essência dos personagens centrais enquanto os coloca para enfrentar o grande fantasma do entretenimento infantil contemporâneo. A proposta coloca em pauta a transição entre o brinquedo físico e a atração digital, um tema que reflete diretamente as mudanças no comportamento das crianças atuais.

Confesso que achei instigante a escolha do estúdio em colocar a tecnologia como a grande força antagônica da trama, em vez de recorrer a mais um brinquedo vilão com traumas de rejeição. É uma premissa que dialoga tanto com os pais nostalgia dos anos 1990 quanto com as gerações que já cresceram com um tablet nas mãos. Contudo, ao expandir uma marca tão consagrada pela quinta vez, a produção assume o risco evidente do desgaste, dependendo quase que exclusivamente da simpatia de seu elenco original para convencer o espectador a retornar ao cinema.

Qual é a história de Toy Story 5?

A trama acompanha novamente a rotina do grupo liderado pelo xerife Woody, pelo patrulheiro espacial Buzz Lightyear e pela destemida boneca de pano Jessie. Desta vez, o cotidiano da casa da garotinha Bonnie passa por uma grande turbulência quando a atenção da menina é completamente capturada por dispositivos eletrônicos e novos gadgets digitais. Os brinquedos tradicionais, que sempre basearam suas vidas na dedicação ao brincar analógico, descobrem que perderam espaço para telas e softwares que prometem um tipo de diversão muito mais interativa e absorvente.

Cena 1 de Toy Story 5
Toy Story 5

Para conter esse avanço e garantir que as crianças não abandonem por completo a imaginação do mundo real, a gangue precisa se unir em uma missão inédita. É no meio desse conflito de gerações que surge Smarty Pants, uma figura inédita que simboliza a era dos aparelhos inteligentes e que passa a rivalizar diretamente com a liderança do grupo clássico. A jornada coloca à prova a lealdade do bando e força os protagonistas a questionarem se a utilidade de um brinquedo pode realmente resistir às transformações do tempo.

Ficha técnica Detalhe
Direção Andrew Stanton
Roteiro Andrew Stanton, Kenna Harris
Elenco Principal Joan Cusack (Jessie), Tom Hanks (Woody), Tim Allen (Buzz Lightyear), Conan O'Brien (Smarty Pants), Scarlett Spears (Bonnie)
Produção Pixar

Telas interativas e o fantasma da obsolescência na Pixar

A decisão de colocar robôs inteligentes e tablets no centro do conflito principal é o maior acerto conceitual do projeto. A Pixar sempre se destacou por transformar angústias humanas em fábulas animadas, e o sentimento de descarte iminente sempre foi o combustível

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