Crítica

Resident Evil

Com direção de Zach Cregger e roteiro assinado ao lado de Shay Hatten, a nova adaptação cinematográfica da franquia de videogames Resident Evil aposta em uma premissa contida que mistura terror, ficção científica e ação. Estrelado por Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser e Johnno Wilson, o longa-garde um surto biológico nas estradas e corredores de Raccoon City, oferecendo uma proposta enxuta que flerta com a claustrofobia clássica dos survival horrors originais.

Sou fã assumido dos videogames originais da franquia Resident Evil, e isso me deixa naturalmente mais exigente a cada vez que Hollywood tenta transpor esse universo de zumbis e conspirações para o cinema. Ao longo de mais de duas décadas, os espectadores viram de tudo nas telas: desde os filmes de ação frenética liderados por Milla Jovovich até reinícios mais recentes que tentaram colar de forma quase literal na cenografia dos jogos. A promessa de uma nova abordagem sempre acende um sinal de alerta sobre qual caminho a produção decidiu seguir.

Pôster de Resident Evil mostrando Bryan na neve com o carro e uma figura misteriosa.
Resident Evil

Nesta nova investida, lançada em setembro de 2026, a Constantin Film, em parceria com estúdios como Vertigo Entertainment, PlayStation Productions, TriStar Pictures e Columbia Pictures, resolveu mudar o foco do escopo global para uma escala bem mais reduzida e claustrofóbica. A escolha do diretor Zach Cregger para comandar o projeto e assinar o roteiro junto com Shay Hatten sinalizou, desde os primeiros anúncios de produção, uma intenção clara de priorizar a tensão progressiva em detrimento dos tiroteios desenfreados sem peso dramático.

A minha expectativa inicial era entender como esse time criativo lidaria com o folclore denso do material de origem sem cair nas velhas armadilhas de exageros virtuais. Ao confinar a história em uma única noite nebulosa e em uma ambientação hospitalar, a produção busca recuperar aquela angústia de ficar preso em um corredor escuro com recursos limitados. É uma proposta de resgate que tenta equilibrar o respeito às origens com o frescor de uma narrativa de sobrevivência isolada.

Qual é a história de Resident Evil?

A trama acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, um sujeito comum que ganha a vida realizando entregas noturnas de órgãos medicinais. A sua rotina pacata muda drasticamente durante um percurso de trabalho com destino ao Hospital Geral de Raccoon City, numa noite marcada por uma forte tempestade de neve nas estradas montanhosas que cercam a região.

No meio do trajeto sob visibilidade reduzida, Bryan acidentalmente atropela uma mulher desconhecida no acostamento. Para a sua surpresa, a vítima sobrevive ao impacto brutal, mas a sua presença carrega sinais evidentes de que algo profundamente assustador está em andamento naquela área isolada.

Ao tentar prestar socorro e buscar auxílio médico, o entregador acaba arrastado para o epicentro de um surto biológico em larga escala. A partir desse momento, o Hospital Geral de Raccoon City se transforma em um cenário de pesadelo dominado por mutações horríveis dotadas de tentáculos e outras monstruosidades geradas por bioengenharia. Bryan precisa se unir a outros sobreviventes no local para tentar escapar da instalação tomada pelo caos.

Ficha técnica Detalhe
Direção Zach Cregger
Roteiro Shay Hatten, Zach Cregger
Elenco Principal Austin Abrams (Bryan), Zach Cherry (Dave), Kali Reis (Pauline), Paul Walter Hauser (Carl), Johnno Wilson (Max)
Produção Constantin Film, Subconscious, Vertigo Entertainment, Davis Films, Columbia Pictures, PlayStation Productions, TriStar Pictures

Socorro, atropelamos o survival horror na neve!

Confesso que achei realmente inteligente a decisão do roteiro de abandonar, pelo menos no ponto de partida, as grandes corporações armadas e os super-soldados para focar a narrativa na perspectiva de um entregador comum. Colocar um civil assustado como guia do público é o mecanismo ideal para restabelecer a sensação de vulnerabilidade que os jogos clássicos entregavam tão bem. Quando o protagonista não domina táticas de combate, cada curva de corredor vira um obstáculo genuinamente ameaçador.

A escolha da ambientação montanhosa coberta de neve também funciona muito bem para isolar os personagens do resto do mundo. Esse bloqueio geográfico justifica a falta de reforços e o isolamento total das autoridades, criando uma atmosfera de desespero que se intensifica à medida que os sobreviventes chegam ao hospital. A neve do lado de fora contrapõe o ambiente claustrofóbico e contaminado do lado de dentro, desenhando um contraste visual interessante para uma história de sobrevivência.

Por outro lado, a premissa corre o risco de soar excessivamente familiar para quem já consumiu dezenas de obras do gênero. O tropo do civil preso em uma instalação médica durante o início de uma infecção é um clássico, mas exige constantes reviravoltas no

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