Em 1993, os lutadores Ryu e Ken Masters são colocados de volta no combate quando a misteriosa Chun-Li os recruta para o próximo Torneio
O novo filme de Street Fighter vale o seu ingresso ou é apenas mais uma adaptação caça-níqueis de videogame? Essa é a dúvida de qualquer um que já gastou fichas nos arcades nos anos 1990 ou passou horas treinando combinações no controle. O projeto, fruto de uma parceria robusta entre a Capcom e a Legendary Pictures, traz Kitao Sakurai na cadeira de direção. Sakurai é conhecido por sua habilidade de transitar entre a comédia ácida e a ação estilizada em produções de apelo popular. Com um time de roteiristas experientes que inclui Gary Dauberman e Dalan Musson, a produção tenta equilibrar o peso nostálgico da marca com uma roupagem moderna.

Minha expectativa com adaptações de jogos de luta costuma ser bastante moderada, já que o cinema costuma tropeçar ao tentar transformar tramas simples de torneio em melodramas complexos. O filme anterior de Hollywood com a franquia, lançado em 1994, virou um clássico cult pela galhofa desmedida. Aqui, o novo longa assume uma postura que tenta honrar a estética e os conflitos originais dos lutadores sem medo do ridículo. Trata-se de uma aposta consciente no espetáculo visual e no ritmo frenético que o gênero exige para funcionar nas telas.
A proposta central acerta ao escalar um elenco jovem e fisicamente imersivo, priorizando a dinâmica dos combates antes das explicações excessivas. A presença de produtoras gigantescas no projeto garante uma infraestrutura de efeitos e cenários condizente com a grandiosidade dos cenários clássicos. Resta saber se o roteiro assinado a oito mãos consegue dar espaço para que cada combatente brilhe sem transformar o enredo em uma bagunça apressada.
Neste artigo:
Qual é a história de Street Fighter?
A narrativa nos projeta de volta ao ano de 1993, momento de ouro na popularização da franquia nos consoles e arcades. Os velhos conhecidos Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo) acabam puxados para o centro da ação. Eles são recrutados por Chun-Li (Callina Liang) para entrar no mítico Torneio Street Fighter. O que deveria ser apenas um campeonato de artes marciais se revela uma briga brutal motivada por acertos de contas, destino e fúria.
Por trás dos ringues e das arenas globais, esconde-se uma conspiração mortal orquestrada pelo temível M. Bison (David Dastmalchian). Esse cenário de ameaça obriga os antigos companheiros de treino, Ryu e Ken, a encararem seus próprios traumas e demônios do passado. A missão de conter a organização criminosa exige que eles superem suas divergências ou enfrentem um trágico game over.
A trama também reserva espaço para figuras excêntricas que aliviam o peso dramático da jornada, como Dan Hibiki (Andrew Schulz). Entre viagens internacionais e rivalidades históricas, o grupo precisa descobrir quem está manipulando os resultados do torneio antes que a conspiração domine o mundo das lutas.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Direção | Kitao Sakurai |
| Roteiro | Dalan Musson, Gary Dauberman, T.J. Fixman, Kitao Sakurai |
| Elenco Principal | Andrew Koji (Ryu), Noah Centineo (Ken Masters), Callina Liang (Chun-Li), David Dastmalchian (M. Bison), Andrew Schulz (Dan Hibiki) |
| Produção | Capcom, Legendary Pictures |
Socos, chutes e um ritmo que recusa o tédio
A estrutura visual do longa reflete o dinamismo de uma partida de arcade, optando por um ritmo que raramente deixa a poeira baixar. O diretor Kitao Sakurai aplica sua bagagem no audiovisual para criar transições ágeis entre os blocos de ação. As lutas não demoram a acontecer, respeitando a urgência que o espectador espera de uma obra com este título. A montagem aposta em cortes rápidos e planos que valorizam a plasticidade dos movimentos, simulando os ângulos das telas de seleção e de combate dos jogos.
Achei bastante acertada a escolha de manter a ambientação na década de 1990, pois essa decisão estilística confere um charme retrô imediato ao visual. A direção de arte explora neon, figurinos clássicos e cenários urbanos vibrantes, evitando aquela estética cinzenta e genérica que assombra as grandes produções atuais. O tom passeia sem vergonha entre a fantasia exagerada das artes marciais e a ação pop dos grandes blockbusters de trinta anos atrás.
Por outro lado, essa velocidade toda custa caro ao desenvolvimento do universo. O roteiro assinado por quatro escritores sofre para transitar entre os núcleos de personagens sem parecer picotado. Algumas sequências parecem existir apenas para cumprir a cota de lutadores icônicos na tela, sacrificando a construção de tensão antes das lutas. O ritmo acelerado funciona para manter o entretenimento do público, mas compromete o peso narrativo dos duelos mais importantes.
Hadouken no drama, Shoryuken na diversão
A escalação do elenco revela escolhas muito claras para sustentar a atmosfera de fantasia e pancadaria. Andrew Koji carrega a sobriedade necessária para viver Ryu, trazendo uma presença física imponente que passa a seriedade exigida pelo lutador itinerante. Noah Centineo faz o contraponto ideal na pele de Ken Masters, entregando uma energia mais expansiva e arrogante que contrasta bem com a postura do protagonista.
A escolha de atores com perfis tão distintos garante uma química funcional para a parceria central da trama. Aqui estão os principais destaques do elenco que movimentam a história:
- Andrew Koji (Ryu): Assume o papel do guerreiro disciplinado focado em superar os próprios limites.
- Noah Centineo (Ken Masters): Traz a vivacidade e o carisma do lutador norte-americano abastado.
- Callina Liang (Chun-Li): Atua como o motor da trama ao investigar o império criminoso do vilão.
- David Dastmalchian (M. Bison): Entrega uma figura vilanesca extravagante e ameaçadora na medida certa.
- Andrew Schulz (Dan Hibiki): Funciona como o alívio cômico ao encarnar a incompetência do lutador exibido.
David Dastmalchian se sobressai ao abraçar a vilania teatral de M. Bison sem qualquer pudor, roubando a cena sempre que a conspiração exige sua presença. Callina Liang entrega uma Chun-Li motivada e determinada, funcionando como o verdadeiro pilar estratégico do grupo. Notei como o roteiro acerta ao dar utilidade real à personagem de Liang na investigação, em vez de deixá-la como mera coadjuvante no conflito de Ryu e Ken.
A ressalva fica para o uso de personagens secundários como Dan Hibiki. Andrew Schulz tenta entregar um alívio cômico funcional, mas suas inserções às vezes destoam da urgência das cenas de ação. Essa oscilação de tom entre a tragédia pessoal dos protagonistas e o pastelão de alguns coadjuvantes expõe certas fragilidades do texto, que nem sempre sabe qual tom priorizar.
Vale a pena assistir Street Fighter?
Street Fighter cumpre sua promessa básica de ser um espetáculo divertido, pop e altamente nostálgico para quem gosta de jogos de luta. O filme brilha quando foca na rivalidade de Ryu e Ken, na energia de suas lutas e na caracterização estilizada de seus vilões. A direção de Kitao Sakurai entrega uma obra colorida, movimentada e sem medo de abraçar as raízes fantásticas da Capcom.
O longa decepciona um pouco na gestão das suas múltiplas subtramas, resultando em um roteiro atropelado que deixa alguns personagens rasos. Quem procura uma história profunda com reviravoltas complexas provavelmente sairá frustrado do cinema. O roteiro prefere focar na ação direta e no fanservice bem-executado em vez de elaborar grandes dilemas dramáticos.
Para quem busca uma sessão pipoca descompromissada, repleta de referências à cultura pop dos anos 1990 e combates estilosos, o longa compensa o valor do ingresso. É uma adaptação que respeita a essência do material original, entregando exatamente o tipo de pancadaria colorida que consagrou a franquia nos consoles.
Dúvidas frequentes
O novo filme de Street Fighter é uma sequência do filme de 1994?
Não. A produção da Capcom em parceria com a Legendary Pictures é uma nova adaptação independente e não possui ligação narrativa com o filme estrelado por Jean-Claude Van Damme em 1994.
Quem é o vilão principal da história?
O grande antagonista do filme é M. Bison, interpretado pelo ator David Dastmalchian. Ele comanda a conspiração mortal por trás do Torneio Street Fighter.
Há cenas pós-créditos no filme?
A presença de cenas pós-créditos ou ganchos extras no final do longa não é informada no material oficial divulgado pela produção.