Crítica

Masterplan

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Masterplan é bom? Se você procura um thriller de assalto que tenta misturar a tensão de um roubo impossível com o caos de uma reunião familiar disfuncional, o novo longa assinado por Thomas Vincent entrega uma premissa divertida, embora oscile no ritmo. Com Stanley Tucci no papel principal, a produção reúne especialistas em cibercrime e explosivos no Museu do Louvrem sob o comando de um pai misterioso.

Masterplan é bom? Se você busca um suspense de roubo dinâmico, recheado de reviravoltas urbanas e com um toque de comédia dramática familiar, o novo longa-metragem lançado pela Amazon MGM Studios em parceria com a Gaumont entrega uma proposta divertida, ainda que cometa deslizes de ritmo ao tentar equilibrar seus elementos. Dirigido por Thomas Vincent, o projeto chama a atenção imediatamente por colocar um plano mirabolante no centro da narrativa: o roubo da Mona Lisa, a obra de arte mais famosa e protegida do mundo, no coração de Paris.

Pôster de Masterplan com um ladrão e seus dois filhos especialistas preparando um grande roubo.
Masterplan

O cinema de atração e assalto traz um histórico longo de obras memoráveis, desde clássicos como Topkapi (1964) até franquias modernas e estilizadas como Onze Homens e Um Segredo (2001). Para se destacar em um gênero tão povoado, a produção aposta menos na sofisticação tecnológica pura e mais na bagunça relacional entre seus protagonistas. Ao misturar o suspense de invasão com a dinâmica picante de pais e filhos que mal se suportam, o filme tenta garantir a simpatia do público enquanto desenvolve as etapas de um golpe aparentemente absurdo.

Achei bastante esperta a decisão do roteiro — assinado por um time talentoso que inclui Giacomo Durzi, Alessandro Fabbri, Alberto Vignati, David Wolstencroft e o próprio Thomas Vincent — de focar no atrito humano antes de disparar o alarme das galerias artísticas. O filme chega ao catálogo da Amazon MGM Studios e às salas de cinema após meses de expectativa do público, prometendo um prato cheio para quem aprecia tramas de crimes planejados com leveza e ironia.

Qual é a história de Masterplan?

Na trama de Masterplan, Roger (Stanley Tucci) é um ladrão lendário que passa anos planejando o golpe definitivo de sua carreira: invadir o Museu do Louvre e roubar o quadro da Mona Lisa. No entanto, ciente de que a engenharia de segurança moderna exige habilidades muito específicas, ele decide montar uma equipe enxuta e altamente qualificada. Para cuidar da invasão digital e da neutralização dos sistemas eletrônicos, ele convoca Chiara (Simona Tabasco), uma especialista italiana em crimes cibernéticos. Para lidar com a infraestrutura física e os obstáculos de demolição, ele recruta Jay (Victor Belmondo), um especialista francês em artefatos explosivos.

O grande segredo por trás do convite é que nem Chiara nem Jay sabem que Roger é, na verdade, o pai biológico dos dois. Quando o trio se reúne em solo europeu para alinhar a operação, a revelação da paternidade transforma o planejamento estratégico em um verdadeiro campo de batalha familiar. Entre cobranças do passado, ressentimentos e acusações de abandono, a nova família precisa encontrar um meio-termo para trabalhar em equipe. Eles precisam evitar conflitos internos graves e impedir que a presença de figuras perigosas do submundo, como o ameaçador Scary Big Roman (Bruno Bilotta), estrague o plano de executar o maior roubo do século.

Ficha técnica Detalhe
Direção Thomas Vincent
Roteiro Giacomo Durzi, Alessandro Fabbri, Alberto Vignati, Thomas Vincent, David Wolstencroft
Elenco Principal Stanley Tucci (Roger), Simona Tabasco (Chiara), Victor Belmondo (Jay), Eliott Margueron, Bruno Bilotta (Scary Big Roman)
Produção Amazon MGM Studios, Gaumont

A Mona Lisa sob risco e o caos de uma reunião familiar

O grande apelo de Masterplan reside na sua capacidade de transformar uma missão de altíssima tensão em uma verdadeira terapia familiar improvisada. O diretor Thomas Vincent constrói a narrativa em cima do contraste direto entre a precisão técnica exigida por um assalto ao Louvre e a bagunça emocional imensa de seus personagens centrais. A premissa de roubar a Mona Lisa traz de volta aquele clima clássico de suspense onde cada detalhe do ambiente precisa ser calculado, mas o filme faz questão de jogar uma bomba de imprevisibilidade dentro desse cenário ao juntar parentes distanciados pelo tempo.

O suspense funciona justamente quando o roteiro explora o risco constante de o plano ruir não por causa de câmeras de vigilância, mas por causa de um bate-boca banal na hora errada. Roger arquitetou uma operação milimétrica, só que se esqueceu de que lidar com filhos magoados exige habilidades que o crime internacional não ensina. A dinâmica entre os três cria momentos genuinamente divertidos, jogando luz sobre como a ganância e os laços de sangue podem colidir de forma desastrosa. A ambientação europeia e o clima de thriller dinâmico dão a sustentação necessária para que a história não pareça apenas uma piada esticada, mantendo o espectador atento a cada etapa do plano.

Por outro lado, o roteiro esbarra em algumas conveniências narrativas bastante evidentes. Em determinados momentos, a facilidade com que o trio contorna barreiras de segurança extremamente complexas exige uma dose considerável de suspensão da descrença do público. O suspense perde parte de seu peso quando a ameaça externa parece se curvar às necessidades dramáticas do trio, tornando certos obstáculos menos assustadores do que deveriam ser. Se a intenção era criar um clima de perigo iminente o tempo todo, o filme às vezes prefere acelerar as soluções para focar na comédia de costumes, o que pode frustrar os entusiastas de thrillers mais rigorosos e realistas.

Stanley Tucci lidera um elenco afiado, mas refém do ritmo

O elenco de Masterplan surge como o grande pilar de sustentação do filme, trazendo o carisma necessário para que o público se importe com personagens moralmente questionáveis. Stanley Tucci (de O Diabo Veste Prada e Spotlight: Segredos Revelados) entrega uma performance repleta daquela elegância sarcástica que já virou sua marca registrada. No papel do mestre do crime Roger, Tucci consegue equilibrar a frieza de um estrategista experiente com o desespero sutil de um pai que tenta reencontrar os filhos da forma mais torta possível. Ele domina o tom da produção, sabendo exatamente quando acelerar o texto e quando deixar a ironia fluir.

Ao seu lado, Simona Tabasco (que brilhou na segunda temporada de The White Lotus) traz para a hacker Chiara uma energia vibrante e uma postura firme que bate de frente com o cinismo do pai. A atriz se destaca ao dar densidade a uma personagem que poderia ser apenas uma figura genérica de TI em filmes de ação. Victor Belmondo (visto no drama Albatros), por sua vez, injeta uma dose de intensidade física e impulso emotivo ao especialista em explosivos Jay. A química triangular do trio principal é evidente e sustenta os diálogos mais rápidos, transformando a relação familiar na verdadeira força motora de toda a projeção.

Apesar da escalação certeira dos protagonistas, os personagens secundários não recebem o mesmo nível de atenção do roteiro. Bruno Bilotta, interpretando o vilão Scary Big Roman, acaba relegado ao papel do antagonista genérico que surge de tempos em tempos para lembrar a audiência de que há um perigo real rondando os heróis. Notei como a presença do crime organizado na história fica um tanto apagada quando comparada ao tempo dedicado às conversas de camarim do grupo principal. Essa falta de desenvolvimento dos coadjuvantes faz com que o conflito externo soe um pouco burocrático, funcionando mais como um relógio regressivo do que como uma ameaça viva e pulsante.

Tabela comparativa: a dinâmica dos especialistas no golpe

Para entender como a equipe de Masterplan se divide durante a preparação do grande roubo no Museu do Louvre, a tabela abaixo detalha o papel e as especialidades de cada membro da família dentro da operação:

Personagem Ator / Atriz Função na Equipe Principal Conflito no Golpe
Roger Stanley Tucci Líder e Mestre do Golpe Manter o plano nos trilhos enquanto tenta reconciliar a família.
Chiara Simona Tabasco Hacker e Cibersegurança Superar o ressentimento com o pai para invadir a rede do Louvre.
Jay Victor Belmondo Especialista em Explosivos Controlar o temperamento impulsivo durante a execução das brechas.

Vale a pena assistir Masterplan?

Masterplan não reinventa a roda dos filmes de assalto, mas entrega duas horas de entretenimento leve, dinâmico e bastante eficiente para quem busca diversão sem compromisso. O grande acerto do longa-metragem reside na escala do seu elenco principal, com Stanley Tucci, Simona Tabasco e Victor Belmondo demonstrando uma sintonia excelente na tela. A premissa de roubar a Mona Lisa é um chamariz forte por si só, e o toque de comédia dramática familiar garante que a jornada tenha um tempero diferente da maioria dos thrillers de ação genéricos lançados nos últimos anos.

O ponto em que o longa tropeça é na construção da sua tensão dramática e no ritmo de desenvolvimento das ameaças secundárias. Ao priorizar as piadas e os acertos de contas familiares, o roteiro acaba tornando a invasão ao museu mais fácil e conveniente do que a reputação do Louvre exigiria. Antagonistas como o personagem de Bruno Bilotta acabam parecendo meros adereços para pressionar os protagonistas a tomar atitudes rápidas. Ainda assim, para quem gosta de histórias de roubos elegantes conduzidas por atores talentosos, o filme vale o combo da pipoca e garante uma boa sessão no fim de semana.

Perguntas frequentes

Masterplan é baseado em uma história real?

Não, o filme é uma obra de ficção completa. O roteiro criado por Giacomo Durzi, Alessandro Fabbri, Alberto Vignati, Thomas Vincent e David Wolstencroft não se baseia em fatos reais nem em nenhum caso verídico de roubo ocorrido no Museu do Louvre.

O filme Masterplan é uma sequência ou spin-off de alguma franquia?

Não, a produção da Amazon MGM Studios e da Gaumont é uma história original fechada em si mesma. A sinopse do projeto não menciona nenhum vínculo com franquias pré-existentes do cinema ou da televisão.

Existe alguma cena pós-créditos no final de Masterplan?

A referência oficial do filme não informa se existem cenas adicionais ou materiais extras exibidos durante ou após os créditos finais do longa-metragem.

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